Tudo que nos irrita nos outros
pode nos levar a um melhor
conhecimento de nós mesmos.
Carl Jung
Não deixe de dizer hoje o quanto ama alguém, amanhã pode ser tarde demais.


Por Tatiana Gerasimenko
Postura dos pais pode direcionar a reação das crianças ao "estranho no ninho"
Para os filhos de pais separados, a esperança é a última que morre. “Independentemente da idade, o desejo fantasioso de todos os filhos é ter pai e mãe juntos de novo”, afirma a psicoterapeuta familiar Solange Rosset. Como a vida continua, hora ou outra eles deverão lidar com uma situação diferente da imaginada – como o ingresso de um novo personagem na história. A atenção será dividida com alguém desconhecido e o estranho no ninho representa o ponto final dos antigos laços familiares. Diante do perigo, é natural as crianças surgirem com pedras nas mãos. Cabe aos adultos ser maleáveis: uma postura madura e consciente do papel de cada um na família ajuda na hora de apresentar o novo parceiro às crianças.
Tudo ficará mais fácil se os pais mantiverem um relacionamento amigável. “Para os filhos, a fonte de maior sofrimento é o conflito continuado entre os pais”, explica a psicóloga e terapeuta de família Rosana Rapizo. “Muitas vezes o ciúme exagerado é uma forma de proteger, de ser leal ao pai ou à mãe que o filho sente mais frágil ou mais ressentido com a separação”.
A gerente comercial Giselda Menagé sempre teve uma relação amigável com o ex-marido, que já morava com outra pessoa há dois anos quando ela começou a namorar. Mesmo assim, seu filho mais velho, com seis anos na época, sentiu um pouco de ciúmes. “Tivemos uma grande discussão, mas ele conseguiu entender que o tipo de amor era diferente, e que eles sempre teriam um lugar privilegiado em minha vida”, conta ela. Hoje, o relacionamento entre todos é excelente. “Eles jogam videogame, assistem a filmes juntos, fazemos viagens em família”. Para ela, a melhor forma de lidar com esta situação é conversar muito com os filhos e o novo parceiro, além de promover passeios divertidos incluindo o namorado.
Carro em movimento
Quando a relação com o ex-marido ou ex-mulher não é saudável, o novo parceiro deve esbanjar paciência. “Os novos namorados ganham muito se entenderem que estão entrando em um carro em movimento”, ressalta Rosana. “Muitas coisas aconteceram antes da chegada e, sobre isso, eles não têm conhecimento ou controle”. Por isso, tentar ganhar afeto e aceitação dos filhos da namorada logo de cara é furada na certa.
Do outro lado, cabe aos pais mostrar que suas funções maternas e paternas continuarão a ser cumpridas. “A principal dificuldade de quem está tendo uma nova relação é poder exercer sua afetividade e sexualidade sem misturar com suas tarefas e compromissos como pai e mãe”, diz Solange.
É preciso também entender que as crianças não têm ainda – e podem nunca ter – intimidade ou afetividade pelo novo parceiro. O respeito aos tempos e espaços de todos os envolvidos é essencial. “Às vezes, os pais são um pouco afobados quando terminam um casamento e surgem com uma nova namorada”, explica Ana Maria Fonseca Zambieri, doutora em Psicologia Clínica na área de casal e família. “Eles confundem o processo interno deles com o das crianças, que é completamente diferente”.
Além disso, o homem e a mulher tendem a lidar com as questões em ritmos distintos. Muitas vezes o homem termina a relação porque se apaixonou por outra mulher, deixando a ex magoada. O processo da mulher será mais lento, o que afeta diretamente os filhos, principalmente se eles estiverem morando com ela. “Uma das coisas mais graves é o marido terminar a relação e a ex-mulher ainda estar na fase de esperar que ele volte. Neste caso, a nova namorada não terá chance: os filhos a verão como a responsável pela separação”, afirma Ana Maria. Portanto, respeitar a elaboração do luto é muito importante para que haja uma aceitação melhor do novo companheiro.
A hora H
Falar pode ser fácil, difícil mesmo para os pais é o momento da apresentação. De acordo com a psicóloga familiar Nair Teresinha Gonçalves, a ocasião requer atenção e pede muitas vezes algo especial, como um jantar, por exemplo. “O ritual ajuda a marcar determinadas datas e momentos importantes”, explica. “Primeiro é preciso dar um tempo, esperar concretizar a relação; depois, pode-se marcar um momento especial, seja ele um jantar com a família ou qualquer outra maneira”. O ideal é elaborar uma situação que fuja da rotina, para depois procurar a rotina que induzirá a adaptação das crianças.
O ritual proposto pelo novo companheiro da assistente social Lia Perrella foi um pedido de namoro à moda antiga. Assim ela pôde compartilhar com as filhas, na época com três e sete anos, o acontecimento. “As meninas o receberam bem, porque ele sempre foi muito afetuoso e sabia lidar com a questão de forma muito positiva, além de também ter filhos mais velhos”, conta. O processo, afirma Lia, foi gradativo e levou um ano para se formalizar. A mãe nunca deixou de colocar as garotas em primeiro plano. “Só fui viajar sozinha com ele quando as minhas filhas se tornaram moças, porque sempre tive em mente que o parceiro deveria incorporá-las à sua vida”. Deu tão certo que hoje Juliana e Natália, com 30 e 26 anos, respectivamente, não conseguem imaginar a mãe sem o namorado. “As duas faziam desenhos para ele, o colocavam como se fosse da família”, lembra Lia.
O primeiro encontro deve ser realizado de preferência fora de casa, e ser breve, de forma que as crianças tenham condições de equilibrar a dose da “defesa” – estando naturalmente mais abertas para conhecer o novo companheiro do pai ou da mãe. “O mais importante em qualquer caso é a harmonia, a noção de que o casamento parental – muito além do conjugal – é eterno, pois se não houver sincronicidade do pai e da mãe as crianças vão perceber e se sentir frustradas”, ressalta a psicóloga Ana Maria.
Seguindo este pensamento, o analista de sistemas Leonardo Testa faz questão de sempre conversar com a mãe de sua filha Marina, de sete anos, quando começa a namorar. Filho de pais divorciados também, ele sabe muito bem como o alinhamento da postura do pai e da mãe é essencial para a segurança dos pequenos. “Eu certamente não gostaria que minha filha passasse pelo que eu passei e por isso eu e a Cris [ex-mulher de Leonardo] conversamos muito quando começamos um novo relacionamento”, conta ele.

Por IVAN MARTINS
Apesar da existência da internet, os encontros amorosos ainda ocorrem no mundo físico. É preciso sair de casa, conhecer pessoas e dar ao destino uma chance de fazer algo por nós. Quando, na noite de sábado, a garota sem namorado decide ir a uma festa com os amigos, em vez de ficar em casa fuçando os perfis dos outros no Facebook, está fazendo um cálculo preciso: onde é maior a chance de conhecer alguém? Está provado, estatisticamente, que o amor não é um homem estranho que bate na porta com um ramo de flores, uma camisinha no bolso e um bilhete de avião para Paris.
Isso sempre me ocorre quando escuto – o que é frequente – duas mulheres discutindo sobre a tarefa aparentemente difícil de arrumar um namorado legal nos dias que correm. Em geral, fico tentado a me meter para sugerir que elas talvez estejam buscando nos lugares errados. Hoje, eu decidi que iria ceder à tentação e dar uns palpites nesse assunto. Depois de conversar com amigos e amigas, divido com vocês as opiniões que achei pertinentes.
A primeira delas, que vai irritar os boêmios: não ponha esperança demais em botecos e baladas. Eles não costumam ser o lugar onde se encontra gente que vai ficar na sua vida. Para uma mulher ou para um cara atraente, é fácil achar sexo na noite, mas o que acontece depois é muito incerto. O mais comum é acordar sozinha, ou, ainda pior, perceber que a pessoa ao lado não tem nada a ver. Decisões tomadas no calor da mesa ou da pista não costumam resistir às horas de sono ou de lucidez. Se você já conhece a figura e a convida a tomar uma, a chance de rolar aumenta muito. Se você vai à balada sabendo que lá vai estar o cara que você deseja, melhor. Mas, sair na sexta-feira, dos bares para a balada, na esperança de que o príncipe encantado apareça do nada, com uma lata de cerveja na mão, pode ser bem frustrante.
A internet tornou-se um lugar privilegiado de encontros, mas seu efeito nas aproximações é ambíguo. Funciona de uns jeitos e não funciona de outros. Usar o Facebook para se aproximar da garota do trabalho que você acha bonita ou do cara que você conheceu na festa do amigo costuma ser legal. Tem gente para quem isso funciona tão bem que virou abordagem padrão - com a vantagem de que a redes sociais contam muito sobre a pessoa antes de você chegar perto dela. O que eu acho que não rola é usar a internet para se aproximar de completos estranhos: viu uma foto no timeline, achou a pessoa bonita, manda uma mensagem, “oi!” Quem recebe esse tipo de torpedo fica com a impressão que do outro lado tem um cara ou uma garota disparando span para todos os lados. Não é legal.
Na internet estão também os famosos serviços de promoção de relacionamentos. Você se cadastra, paga uma grana e o sistema sugere sair com fulano ou sicrana. As (poucas) pessoas que eu conheço que já fizeram isso conseguiram encontros e transas. Têm histórias divertidas para contar, mas nenhuma achou o amor virtual. Parece ruim? Não necessariamente. Para quem está por baixo e sente que a vida empacou, esse tipo de serviço pode funcionar como o socorro que a seguradora manda quando seu carro ficou sem bateria: oferece uma recarga de autoconfiança, faz com que você dê a partida e põe o carro em movimento. Às vezes é tudo que a gente precisa.
Se você está sem grupos, invente um. Cursos são lugares espetaculares para aprender e para conhecer gente. Há cursos de todos os tipos e neles há todo tipo de pessoas. Pode ser um encontro de gastronomia, um curso de teatro ou aquela aula de dança de salão que você está adiando desde que tinha 18 anos. Funciona. Tampouco descarte as viagens em bando ou grupo organizado. Elas costumam ser divertidas e oferecem a oportunidade de conhecer pessoas com o mesmo pique. Depois de três dias fazendo tracking na Chapada Diamantina ou acampando no Pantanal, todo mundo fica meio íntimo – e há reuniões posteriores, trocas de fotos pela internet. As coisas não acabam ali.
O essencial, quando se trata de encontros amorosos, é criar oportunidades para que eles aconteçam. Na tarde de sábado, por exemplo, por que não chegar ao cinema meia hora antes do filme e tomar um café, sem Ipod nos ouvidos e sem estar mergulhada num livro? Isso oferece a quem está em volta uma chance de aproximação. Às vezes isso é tudo que o destino precisa para colocar a pessoa certa na mesa ao lado, sozinha e louca para conversar. Pode não ser o grande amor da sua vida, mas talvez venha a ser um bom amigo – que talvez tenha um irmão, ou um amigo, que nasceu com a missão de dar a você os melhores dias da sua vida.

Por IVAN MARTINS
Tenho uma confissão a fazer: não gosto de surpresas. Sei que muita gente acha isso essencial ao convívio, mas não é meu caso. Toda vez que alguém anuncia que tem uma surpresa, eu sofro. Deve ser trauma, pode ser culpa, mas talvez seja bom senso.
Lembro de uma amiga, psicóloga, que me contou sobre um paciente dela. O sujeito vivia se queixando de que o sexo com a mulher dele era chato e previsível. Pois um dia, depois de muito reclamar, ele chegou em casa e a mulher, normalmente passiva, o esperava na cozinha de sandália alta e trajes menores, e se atirou sobre ele. O cara levou um susto enorme, seus membros inferiores encolheram, (como ocorre com os homens assustados) e ele retornou à analista, no dia seguinte, dizendo que queria a mulher dele de volta – aquela tímida e previsível, como ele gostava.
Podem rir, mas essas coisas acontecem o tempo todo.
Um amigo me contou sobre a namorada que um dia foi apanhá-lo no trabalho com uma peruca loira, tipo Marilyn Monroe. Ele demorou a reconhecê-la e, mesmo depois de perceber quem era, entrou no carro incomodado, sentindo-se desconfortável. “Não era a minha garota”, ele me disse. Claro que não era. Ela estava fantasiada para realizar uma fantasia, mas tinha se esquecido de combinar com ele. O cara detestou, ela ficou desapontada com a falta de imaginação e receptividade dele, e o namoro começou a fazer água bem ali. Bela surpresa.
A favor do meu ponto de vista, nem vou invocar aquela máxima cínica (e certeira) que recomenda não chegar de viagem sem avisar a parceira (ou parceiro). O gesto romântico de surpreender a namorada um dia antes do previsto já causou muita separação – sem falar em violência e crime.
Com o risco de ser sexista, acho que talvez exista uma diferença na forma como homens e mulheres vêem essas coisas. Tenho a impressão de que na mente das mulheres as palavras surpresa e erotismo andam enlaçadas. O homem perfeito, a melhor transa, o romance inesquecível – tudo isso parece estar associado ao inesperado. Enquanto os homens abraçam os hábitos com a felicidade de quem veste uma calça velha, as mulheres se inquietam com a repetição. Parecem precisar do estímulo da novidade, ainda que seja uma mera encenação – como a moça de peruca no carro do amigo. Por alguma razão que a vasta maioria dos homens desconhece, mulheres exigem a ruptura da rotina para terem paz. Olham para a sua cara na tarde de sábado como quem pergunta: “e aí, não vai fazer nada heróico, espetacular ou incrivelmente sedutor para mostrar que me ama”? A Emma Bovary que há em cada uma delas exige novidades.
Isso tudo, evidentemente, no terreno afetivo. Quando se trata do dia-a-dia, a tendência das mulheres é ficar brava se você atrasa, não telefona, não faz, não paga, não vai. A imprevisibilidade (alguém já disse?) é a virtude dos amantes. Dos maridos e namorados espera-se o cumprimento atencioso da lei e a manutenção pacífica da ordem – no horário de serviço. Depois, seria de se esperar que o esforçado provedor virasse um Don Juan intrépido, capaz de escalar a sacada com um maço de flores e disposição infatigável (e ademais, poética) para os embates do amor.
Estou exagerando, claro. Conheço dezenas de casais que se acomodaram à rotina como quem se deita numa rede depois do almoço, de forma absolutamente confortável. Mas a verdade é que eu não sei (quem sabe?) o que se passa na cabeça das mulheres desses casais. Estariam felizes? A literatura histórica e moderna sugere que não. Ao menos não inteiramente. O romantismo delas parece não caber numa relação 3x4, preto e branco, sala cozinha e banheiro, barba e cabelo, cama e mesa.
Quando eu era criança, ouvia minha mãe cantar na cozinha uma música que dizia exatamente isso: “Lembro-te agora/ Que não é só casa e comida/ Que prende por toda vida/ O coração de uma mulher”. Descobri, anos depois, que se tratava de um samba de Ataulfo Alves que ficou famoso na voz da Dalva de Oliveira. O nome é “Errei, sim”. Lindo. Foi composto em 1950, mas ainda faz sentido. Quem não conhece pode escutar aqui, com a Paula Toller, num vídeo simpático de celular.
Por isso tudo, os homens capazes de surpreender levam vantagem na relação com as mulheres, mas eles são poucos. Passado o entusiasmo inicial, quando o cérebro funciona 100% do tempo no modo sedução, quase todos se deixam largar no sofá e se acomodam. É preciso ser um apaixonado aplicado para continuar pensando no que faria a sua mulher feliz – e dar-se ao trabalho de surpreendê-la. Encher o iPod com as músicas favoritas dela antes de entregá-lo de presente, por exemplo. Ou marcar uma viagem na data do aniversário de namoro sem avisá-la. Essas atenções parecem fazer toda a diferença. Não são grandes surpresas, eu sei, e talvez seja melhor assim – as pessoas sonham com grandes emoções e enormes arrebatamento, mas talvez precisem apenas de afeto, claro e simples.
Por IVAN MARTINS
Escolher é difícil. Pergunte a um psicólogo e ele vai explicar por que gente obrigada a optar entre uma coisa e outra – qualquer que sejam essas coisas – sente ansiedade. Isso acontece em lojas de sapato, em restaurantes, na porta do cinema e até no sexo. Uma amiga me contou outro dia como foi estar numa festa e ter dois homens sedutores dando em cima dela. “Tive de escolher um deles, mas com um aperto no coração”, ela me disse. No dia seguinte, o bonitão que ela escolheu caiu no vácuo e nunca mais deu notícias. Escolher, ela aprendeu, é abrir mão de alguma outra coisa - e as consequências podem ser irreversíveis.
Infelizmente para nós, nem todas as escolhas são tão simples quanto a do sexo na balada. Penso na escolha mais delicada que a gente faz na vida, aquela que envolve os parceiros de longo prazo. Em que momento concluímos que uma pessoa deixou de ser apenas item de prazer ou fonte de encantamento e se tornou a criatura com quem vamos dividir a vida? Pode ser casando, comprando apartamento e tendo filhos, ou, de forma menos ritualizada, pondo os sentimentos e necessidades dela no centro da nossa vida, mesmo vivendo em casas separadas. O compromisso é parecido, assim como os caminhos que levam a ele.
A primeira coisa que conta nas grandes escolhas – eu acho - é a permanência. Ninguém tem direito a reivindicar um posto dessa importância sem ter ralado um tanto. Não adianta a Fulana decidir, em 30 dias, que vai ser sua mulher para o resto da sua vida. Não funciona assim. O teste do tempo é fundamental. Se aquela mulher ou aquele sujeito continua lá depois de todas as discussões e inevitáveis desencontros, se ela ou ele resolveu ficar depois de todas as chances de ir embora, se os seus sentimentos em relação a ele ou ela continuam vivos, um bom motivo há de haver.
Para que as coisas funcionem no longo prazo é essencial haver lealdade. Eu cuido, eu protejo, eu respeito – e você faz o mesmo comigo. Se você não sente que seus sentimentos e a sua vida são importantes para ele ou para ela, desista. Como o ambiente lá fora é hostil, é essencial saber que no interior da relação existe cumplicidade e abrigo, com um grau elevado de honestidade: você diz o que pensa e isso vai ajudar, ainda que doa. É impossível prometer que coisas ruins jamais irão acontecer, é falso garantir que os sentimentos permanecerão os mesmos para sempre, mas é essencial olhar nos olhos do outro e sentir a disposição de tentar, verdadeiramente, que seja assim. Aqui, agora, de todo o coração, tem de ser para sempre – ou então a gente nem começa.
Se tudo isso existir – e não é fácil – ainda fará falta um quarto elemento, essencial ao equilíbrio duradouro das relações: os planos. Se ele que ter cinco filhos e você não quer ser mãe, não vai rolar. Se ela quer levar uma vida de viagens e aventura e o seu sonho é ficar aqui mesmo, perto das famílias e dos amigos, não deu. Viver bem pressupõe afinidades essenciais de gosto, sentimento e expectativas, sem falar de ideologia. Todas essas coisas se refletem nos planos. Eu penso no amor como um voo de longa distância. O avião precisa estar carregado com o tempo da relação, com o prazer que ela proporciona e com a lealdade em que ela está baseada – mas as pessoas ainda têm de concordar sobre o destino. Se eu quero ir à Tóquio e você à Nova York, precisamos embarcar em vôos diferentes.
Os termômetros elevados avisam que a estação mais esperada do ano chegou. Praias lotadas, chopinho na calçada, corpos sarados desfilando pelas ruas... Todos esses ingredientes ajudam na hora de arrumar um novo namorado. Se você já encontrou alguém neste período, quer saber se o seu amor de verão vai durar apenas três meses?

Oito da noite, numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita.
Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
- Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais...
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.
Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!
- - - - - -
Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho.
Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não.
Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência:
"Quero ser feliz ou ter razão?"
Outro pensamento parecido, diz o seguinte:
"Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam".



