
Por André Lenz
Ela está na cama sentada olhando em direção à parede, tentando esconder as lágrimas que correm em sua face. Lágrimas sinceras de um sentimento sincero e não correspondido.
A janela
está aberta, mas uma negra cortina a cobre e só deixa os raios de sol entrarem
uma vez ou outra, quando o vento sopra uma brisa gelada fraca.
Ele sentado
na pequena poltrona colocada do lado da porta, fica olhando o sobe e desce suave
da cortina, olhos fixos para não deixar as lágrimas escaparem. Está pensando no
que realmente importa, no que ele está sentindo dentro da sua alma naquele
instante. Pensando em todo os momentos de felicidade que viveu do lado daquele
ser tão meigo, mas às vezes, tão má e tão dominadora.
Na balança
da vida, ele tenta equilibrar os bons e os maus momentos numa tentativa de
realmente descobrir quais são as suas prioridades, quais são as suas
necessidades, o que ele realmente quer.
Ela levanta
e vai ao banheiro enxugar suas lágrimas, olha no espelho e vê seu rosto marcado
pela dor, pelo aperto naquele coração tão incompreendido. Então, ela passa por
ele, mas não procura seus olhos, caminha direto em direção à janela, abre a
cortina e deixa a luz do fim de tarde entrar naquele quarto.
Ele olha
aquele ser ali parado, lembra então, do fim de semana na cabana com a luz da
lareira e o chocolate quente no sofá. Lembra do tapa que levou por receber um
sorriso maroto de outra mulher lembra de receber café na cama e uma massagem em
todo o seu corpo com óleo de menta.
Ela tenta
olhar adiante mas não consegue. Ela sente medo de perdê-lo. Sente medo de que
ele se vá e nunca mais volte, de que sua vida acabe sem aquele homem. Ele é
tudo, ele é nada. O meu tudo, o meu amor.
Ele se
levanta e vai em direção ao armário, pega uma mala e coloca na cama. Abre as
gavetas e começa a colocar suas roupas na mala. Então, uma foto entre as roupas
cai no chão.
A foto da primeira vez, a foto do primeiro dia, a foto onde tudo começou, apenas uma foto.
A foto da primeira vez, a foto do primeiro dia, a foto onde tudo começou, apenas uma foto.
Suas mãos
já meio trêmulas ajuntam aquela foto caída. Ele para... então, olha para a foto
e pensa que tudo pode ser diferente, que tudo pode mudar. Que ele pode fazê-la
feliz, mas antes ele tem que ser feliz. É uma troca, é um acordo, é uma vida.
Ele vai ao
outro extremo do quarto e pega uma manta bordada e colorida, tem o cheiro dela.
Caminha lentamente e a abraça colocando a manta sobre seu corpo delicado e
trêmulo.
Ela sente
um alívio e se aconchega nos braços do seu amor, ele começa a chorar novamente
um choro intenso de liberdade, um choro de alívio, um choro não de tristeza, mas
de alegria.
Ele a vira
e os dois ficam cara a cara. Nos olhos estão as mil palavras a serem ditas que a
boca não quer falar. Palavras de dor, de ódio, do tipo que magoa, do tipo que
redime, do tipo que ama, palavras sinceras de desespero e amor.
Então, o
sol testemunha o beijo puro e singelo de dois amantes, de dois estranhos, de
dois amigos, de dois cúmplices, de um casal. Aos poucos o sol vai indo embora,
deixando de iluminar aquele canto tão singelo, o quarto.
O quarto
onde vive a paz e a discórdia, o quarto onde reina amor e ódio. Mas,
principalmente, o quarto onde existe a esperança de que tudo vai ser diferente
pra finalmente ser feliz.
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