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Não conheço uma mulher que nunca tenha sonhado com o dia do seu casamento. Eu, como boa romântica, não fujo da regra. É claro que para casar você precisa de um marido. E eu sonhava com isso também.
O curioso é que antigamente eu sonhava com as características físicas e psicológicas do sujeito. E queria ser feliz para sempre. Na verdade, eu nem sei por que queria ser feliz para sempre. Talvez pelo excesso de leitura de contos de fadas. Talvez porque todo mundo quer ser feliz. Mas os sonhos são sempre perfeitos, nos sonhos só as qualidades aparecem. No sonho não tem dia a dia, confusão, discórdia. No sonho tudo termina bem.
Antes de casar eu morei junto. E já me sentia, de certa forma, casada. Quando você mora junto é casada de coração. Mas quando você casa no papel e na cerimônia o sentimento é diferente. Quando você coloca a aliança no dedo a sensação é outra. Quando você acrescenta o sobrenome dele ao seu dá uma sensação boa, de realmente pertencer àquela pessoa. E isso é fantástico, é um sentimento único, intenso, especial.
Você pode me achar piegas, mas gosto disso. Gosto de ter o sobrenome dele, de usar uma aliança linda que nós dois gastamos várias calorias andando no shopping para escolher. Acho que o amor verdadeiro é um pouco piegas, sim. E quando ele acontece a gente percebe que a realidade é bem melhor que o sonho. Que o dia a dia é importante para aprender a respeitar o espaço do outro, para definir o seu espaço, para entender que uma relação precisa de ar e limites. Que a confusão pode terminar em uma risada gostosa. E que a discórdia sempre nos ensina alguma coisa.
A vida a dois dá trabalho, exige sacrifício, paciência, doação e mais uma série de coisas. Mas é muito bom ir sabendo pra onde voltar. Sempre achei que todo mundo pode ser feliz e viver em paz sozinho, sim. Mas é muito melhor viver acompanhado, ter para quem cozinhar, ter com quem viajar, ter para quem contar como foi o dia, ter para quem ligar quando alguma coisa muito boa ou muito ruim acontece, ter com quem fazer coisas pequenas, como ir até a feira, jogar carta, ler um trecho bonito de um livro, assistir um filme ou comprar flores para enfeitar a casa. Agora você vai me dizer que isso tudo dá para fazer com aquele amigo de fé ou com algum parente. Concordo, mas certas lacunas os amigos e a família não preenchem: todo mundo precisa de um pouco de amor.
Por Clarissa Correa
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