terça-feira, outubro 16, 2012

Não


Não se lembra mais...
De como era estar aflito esperando que ela gostasse dele.
Não se lembra mais como era imaginar o calor dos lábios, a carícia dos toques.
Não lembra mais, o que é pensar nela toda noite.
Não lembra mais, o que é singelamente esperar que o amor seja recíproco...
Tudo questão de tempo, tudo passa na memória. O que o ego tomou conta a memória esqueceu. Tudo que ela era, toda a ingenuidade, castidade e a virgindade dos lábios, se foi...
Pureza, lembrança.
Não passou de miragem, não passou de ser o sentimento mais profundo e verdadeiro conhecido por essas simples almas e organismos humanos que são hipócritas sem perceber. Que filosofam e amaldiçoam em nome de alguém que eles dizem não existir...
Irônico.
Mãos.
Apenas vê-la tocar. Era isso que eu precisava, era isso que eu temia. Se um dia eu pudesse dizer uma única palavra a ela e se a mesma fosse a última eu já sei qual seria: desculpa...
As palavras “eu te amo” iriam apenas causar um fardo a ela e a sua consciência pelo resto da vida, mas pedir desculpas sempre diz tudo. Assume a culpa incondicionalmente dizendo que faria tudo de novo se fosse necessário, que voltaria do mundo dos mortos apenas para amá-la, que a protegeria acima de qualquer custo, que a amaria sem que o soubesse, que estaria presente em todos os singulares momentos da vida...
Morte.
Não me assusta, a morte não é nada, ela é o nada. Você não sente, você não existe, você não tem consciência de que não está mais entre seus entes queridos.
Por que medo? Apenas uma palavra: não.
E quantas situações podem ser resumidas nessa palavra… a minha própria, por exemplo, pode ser resumida em um não. Uma grande negação...
Não.
Deve ser a palavra, mais difícil de ser proferida. É também a autobiografia dela que em outra versão poderia ser escrita como medo...
Medo.
Se pudéssemos calcular quantas pessoas baseiam sua vida nessa palavra… Vivem pelo medo. Pelo medo estão vivas e têm medo de não acharem significado na vida, coisa que ninguém nesse mundo descobriu ou mesmo elaborou uma teoria plausível.

                                                          * Por Diego Lenz Leite

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